quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Inventar

Um pensamento que entrou no vento e foi.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Desci do salto

Eu não gosto de salto alto.
Nem todo mundo sabe, mas, se reparar bem, vai perceber.
Fui tirando-os do armário aos poucos, para não me sentir chocada,
e hoje restam poucos que uso em ocasiões raras.
Gosto de sapato baixinho, com bico redondo, quadrado,
roxo, azul, vermelho, branco, preto, bege, multicolorido,
gosto de melissinha, rasteirinha, chinelinho
e até daquela lambança que a chuva faz quando pega o pé da gente desprevenido.
Eu não gosto de salto alto e tenho 2 motivos bem simples para isso:
1) as calçadas são inimigas dos saltos.
2) detesto sentir dor, seja onde for.
Melhor que um chinelinho, só mesmo pés descalços.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

1 ano no Rio de Janeiro

Quando a gente viaja, pensa que vai conhecer pessoas novas, descobrir novos lugares, aprender novos hábitos e culturas, e, de fato, a gente aprende muito. Mas o mais interessante é o que aprendemos sobre nós mesmos.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Família Trololó

Quando o pessoal chegou na quinta à noite e todo mundo começou a procurar uma tal "mala de paçoca", já deu pra sentir uma prévia do que seria esse feriado. Aí entra minha avó na sala, caladinha, carregando uma mala preta em direção à cozinha. Todo mundo começa a rir e eu descubro que é verdade: ela trouxe uma mala cheia de paçoca, que por sinal fez o avião inteiro ficar com o cheiro da dita cuja. Até me lembrei dos tempos em que minha mãe tinha uma brasília bege, que estragava toda vez na estrada, e da farofada que a gente aprontava nas viagens com a família. Pra aguentar o ritmo desse povo, só muito feijão com o arroz. Como isso não aconteceu e eu acabei comendo mal, o resultado não podia ser outro: terminei o feriado com a garganta doendo, o nariz escorrendo e dormindo sentada na agência às 9h30 da manhã. Amor demais deixa a gente assim, feliz e destruído.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Noite afora

Era pra ser um noite normal. 
Mas naquele dia meu corpo estava em cólera. 
Minha mente completamente vazia. 
Na volta do trabalho, cuspi no chão da rua as asneiras, filhas-da-putice, invejas e bizarrices do cotidiano. 
Estava quente e meu corpo ardia por inteiro, muito além do hemisfério sul. 
Sentia-me inteira oceano. 
Abri a porta de casa e te encontrei largado no sofá. Pelado. Com muitos pêlos espalhados. 
Subi em cima. Lambi seus lábios pra te provocar. 
Saí do seu colo, fui para o quarto, tomei um banho, passei um pouco de creme sabor morango nos braços. 
Eu implorava por um abraço forte. Você sentiu e, como sempre, correspondeu. 
Agarrou-me pelos cabelos de um jeito forte e delicado que só os homens depois dos 30 conseguem fazer. Deixou-me pronta para o pecado em minutos. 
Encostou seu corpo inteiro no meu e começamos a dançar um dança que é só nossa. 
Você sabe que eu não quero ouvir um CD inteiro, e sim uma única música. Uma única música perfeita, composta por uma orquestra gigante e completa, com direito a todos os sons que o ser humano consegue produzir. E é claro, com um final arrebatador. 
Sou sua mulher e me permito todas as brincadeiras. 
Você buscou morangos na geladeira. 
Estavam frios e brigavam com nossa pele quente. 
Você me carregou para fora da sala, passamos pelo corredor e pelo quarto e chegamos até a varanda. Na sacada vi muitas imagens, o céu, prédios, pessoas, luzes, e ao mesmo tempo não vi nada. 
Meu corpo se contorcia e você me empurrava para fora.
Fiquei tensa. 
Fechei os olhos e não vi mais nada, ouvi um grito e me senti como uma pena descendo andares. 
Morrer de amor é clássico. 

Fim do I Ato. 

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Viagem

Sexta-feira chegou. 

Matei alguns leões, não ganhei nenhum. Corro contra o tempo e contra a ansiedade. Nenhum job pode chegar agora, às 18:30, porque nesta sexta eu preciso ir embora. Não sei por que, mas Chico Buarque não sai da minha cabeça: cálice. Calo-me. Corro pra casa, termino de ajeitar a mala, troco de roupa, lavo o rosto, meu Deus, quanta felicidade. 

Os corredores do aeroporto são sempre solitários. Todo mundo que passa por ali parece não ter ninguém. Correm pés, malas nas esteiras, aviões na pista, aeromoças atrasadas. Só a voz sexy parece calma. Sempre penso na possibilidade de queda do avião. Seria uma morte honrada, morrer em pleno voo, em verosimilhança plena com a liberdade. 

O aeroporto é um lugar contraditório. Provoca angústia e tesão. Pessoas vão e voltam. Pilotos pousam e decolam. Pênis entram e saem dos apertados e úmidos banheiros. Passageiros sonham e acordam. 

Durmo e chego rapidinho a BH. Ando alguns metros pelos corredores, procuro a saída e vejo a imagem da minha mãe me recebendo com minhas primas logo que a porta automática se abre. Não, nem sempre elas estão lá, mas isso não importa. Pego o ônibus executivo, desço na Álvares Cabral, pego um táxi e chego em casa. Minha casa? Minha ex-casa? Ou a casa da minha mãe? Perco-me em devaneios em frente ao velho prédio azul e branco. Exito um pouco antes de apertar o 22 no interfone. 

Entro em "casa" e reconheço o rosto sonolento de minha mãe. Suspiro feliz. O chão marrom já não é mais tão comum; estranho um pouco os móveis, emudeço os olhos ao entrar no "meu" quarto. Em poucos minutos tudo volta a ficar familiar. Recebo as visitas, marco com as amigas, vou pra Bom Despacho e curto uma festa com a família. No meio da festa, encontro-me ligeiramente embriagada na ponta da mesa, de onde observo minha mãe, na outra ponta, completamente embriagada. A música sertaneja bomba na pista e de repente vem a linda e brega canção de Zezé e Luciano: "no dia em que eu saí de casa, minha mãe me disse - filho, vem cá". Sinto meu corpo inteiro tremer, tentando se conter, e meus olhos transbordam em questão de segundos. Olho no rosto dela e a reação é idêntica. Tento esconder meu rosto enquanto ela tenta esconder o dela. Somos cúmplices. 

A música acabou e, depois de ouvir um até logo, fiz a viagem de volta mais longa, difícil e silenciosa da minha vida. Se é que existem mesmo viagens de volta. 

"Uma casa odeia seus pais pela liberdade e odeia a liberdade para se reconciliar com os pais." (Fabrício Carpinejar - "Casa" - Dicionário Amoroso da Língua Portuguesa). 

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

"Quando a morena vai embora, só a poesia salva"

"Quando eu estava exilado, participava de jantares que juntavam os exilados. Havia um peruano, casado com uma morena brasileira, que sempre sentava do meu lado, e falava só sobre economia, eu não aguentava mais. Um dia, a morena foi embora, se engraçou com um argentino. Teve um outro jantar e o peruano sentou do meu lado e eu pensei: 'Agora estou ferrado, lá vem papo de economia.' Mas ele falou a noite inteira de poesia - poesia latino-americana, poesia inglesa, poesia europeia". (Ferreira Gullar - Bienal do Livro RJ)

Bom seria se a morena não precisasse ir. 

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Um creme de 102 reais

Acabo de comprar um creme anti-rugas para a área dos olhos. Quando chegou a embalagem percebi o porquê do preço. Cor especial, alto relevo, abertura diferente cheia de frescura. Tomara que o conteúdo de apenas 15g seja tão bom quanto. Logo eu, que nem sou tão vaidosa assim, que tenho preguiça de fazer as unhas, que só vou ao salão de beleza para cortar o cabelo, logo eu, comprei um creme minúsculo de 102 reais. E, sem qualquer vergonha por isso, sem sentir vontade de dar justificativas, simplesmente me dou conta de que hoje eu me permito esse luxo. 

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O amor é energético

Cheguei em casa às 2h da manhã, depois de trabalhar 17 horas seguidas. Ele estava lá, apagadinho na nossa cama. Tirei os sapatos pra não fazer barulho, fechei a cortina pra tirar a luz da lua do rosto dele, entrei no banheiro e fechei a porta pra não o acordar com o som da água. Bebi um pouco d'agua, olhei pra dentro da geladeira, mas não tinha forças pra comer. Escovei os dentes correndo, lavei o rosto e corri pra cama, o único lugar que eu queria estar há vários horas. Eu não queria chorar, só queria dormir. Graças a Deus, nem me lembro se chorei. Ainda tive uma maldita idéia de campanha, daquelas que sempre aparecem quando a gente não aguenta mais pensar. Já na cama, dei um beijo nele e me aconcheguei por ali. Resmunguei só de charme, pra ver se ele "despertava" rapidamente pra me abraçar com mais força. Mas não precisava. 

Algumas horas depois já era hora dele se levantar. E eu completamente embriagada de sono. Abri os olhos com a maior dificuldade e vi que ele estava com a expressão estranha, meio triste.

- (ele) Tive um pesadelo. 
- Hã..?... (sono)
- Sonhei que você tinha me deixado. 
- Bobagem. (acordo)
- Você saiu com outro cara e falou que não me amava mais. (me abraça forte)
- Ai, ai, amor, só sonho. Deve ser porque você ficou me esperando até tarde.
- Pois eh, fiquei te esperando até meia-noite e meia. 
- Gracinha.
- Eu te amo.
- Eu também te amo. 

Ele saiu pra trabalhar, eu dormi até 8:40 e acordei ainda grógui. Mas feliz. 

Pensei: nem preciso tomar RedBull.  

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Pensamentos

Me perguntaram se eu já assisti ao filme Amnesia. Respondi "vi, mas já esqueci". 

Conheci um garoto de 23 anos que inventou um negócio e ficou milionário. Conheci um homem de 36 anos que reclama que não tem briefing pra criar.

Óleo e água não se misturam, mas é legal passar óleo no corpo durante o banho.

Alguns críticos de arte gostam especialmente de auto-retratos. 

A piada mais engraçada é aquela que a pessoa nem percebe que contou. 

Os pais de Einstein achavam que ela era retardado quando criança. 

Tenho medo de escuro. Mesmo assim, nessas horas costumo fechar os olhos. 

2h da manhã. Pior do que acordar com as marcas do colchão no rosto é acordar com as marcas do teclado. 

Quando tiver a idade da minha mãe, minha filha vai tentar me convencer que não vai ser como eu. 

Por que publicitário, que é tão inteligente, adora virar noite e trabalhar quando não consegue pensar mais? 

terça-feira, 28 de julho de 2009

Pais de adoção

Acabo de assistir um filme da Tim homenageando os padrastos no Dia dos Pais. "No Dia dos Pais, dê um presente para o seu padrasto". Achei de uma sensibilidade rara. Quase como se fosse uma campanha de solidariedade aos excluídos, aos menos favorecidos. E imaginei que muitos padrastos e madrastas vão de fato se comover ao assistir. 

Encantada pelo efeito do filme, resolvi fazer aqui minha pequena homenagem. Lembrei-me de alguns momentos vividos com o ex de minha mãe, que morou lá em casa um tempo. Na época nunca o vi como padrasto, era apenas o namorado de minha mãe. E quando eu pensava que ficaria brava em ter um homem falando alto ou querendo mandar lá em casa, me peguei gostando da situação. Afinal, há muitos anos não tinha um homem falando alto, brigando pelo controle remoto ou querendo mandar nas coisas lá em casa. E isso era incrivelmente bom. Só a sensação de ver minha mãe feliz já me dava alegria. Mas a relação sutil (e nunca declarada, exatamente como no filme da Tim) que foi crescendo entre nós, filhas, e ele, foi bonita. Acho que só me dei conta do que estava acontecendo num dia em que eu e ele caminhávamos na Contorno. Pela primeira vez após muito tempo bateu aquele sentimento único de proteção por estar acompanhada por um guardião. Alguém disposto a te proteger de qualquer situação, a te defender de qualquer olhar estranho ou de um carro que venha na sua direção. Foi assim que eu me senti. Olhava para as pessoas na rua e imaginava: "aposto que ele deve estar pensando que o Paolo é meu pai". Acho que eu já tinha esquecido como era ter um pai no dia a dia. E, naquele momento, o Paolo me fez lembrar de novo. Tempos depois, ele já tinha ido embora pra Itália, chegou um cartão-postal com o meu nome e uma foto do príncipe Charles. "Já encontrei o marido ideal pra você. Na próxima ida ao Brasil levo ele pra te conhecer". Anos se passaram e minha mãe já não está mais com o Paolo. Nunca mais o vi nem soube notícias. Mas agora percebo o quanto sou grata pelos poucos momentos em que ele trouxe meu pai pra perto de mim. 

terça-feira, 30 de junho de 2009

Vou ser dindinha!


quinta-feira, 4 de junho de 2009

Solidão

É como ter 346 amigos no Orkut e nenhum na hora que você mais precisa.
É como não ter aquilo que todo mundo tem. Mesmo que seja uma página no Orkut. 
É aquela reza que aproxima a gente da gente mesmo e também de Deus. 
É a melhor amiga da saudade. 
É estar no meio daquela conversa de um assunto que você não entende nada.
É aquele dia em que todo mundo sai pra almoçar e esquece de te chamar. 
É a lembrança triste que vai e volta como quem não quer nada, só pra brincar de fantasma.
É dormir abraçando o travesseiro. 
É a desculpa dos passivos. 
É o carma dos líderes.
É aquela sensação que um dia foi dor e agora é só calafrio. 
É ter muitos vestidos no armário e nenhuma festa pra ir. 
É o merecido descanso que todo mundo precisa de vez em quando. 
É ter um quarto. 
É aquele amor que você dá mesmo sabendo que não receberá em troca. 
É quando você percebe que ninguém está tão disposto a te dar carinho quanto a sua avó. 
É não ter mais avós. 
É o que sentem as pessoas populares demais. 
É o que as pessoas sozinhas quase nunca sentem, porque já se acostumaram. 
É passar mais tempo com o computador do que com os amigos. 
É vontade de correr sem saber pra onde. 
É vento que vem e passa. 
É frio no Rio de Janeiro. 

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Domingo padrão

A minha cara diz tudo sobre este domingo, que foi uma delícia de preguiça. Cochilo no sofá até 13:30, breve passeio e almoço no shopping ao ar livre, cochilo no colo e Fanstástico antes de dormir. Quando o coração tá preenchido, ficar a toa também é tudo de bom. 

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Frase do mês

Autor: garçom do restaurante Fronteira, na Barra/RJ. 
Detalhe: são 2 andares. E eu estava com a turma da agência numa mesa no 1o andar. 

Eu pergunto: "moço, onde é o banheiro?"
Resposta (frase do mês): "é ali em cima (aponta para a escada). Mas se preferir, tem outro ali na frente (no 1o andar mesmo)". 

Fiquei numa dúvida cruel...rs 

sexta-feira, 15 de maio de 2009

"Avenida Q" - eu recomendo


Das peças que já assisti, é uma das poucas que recomendo com ênfase. Quem vier ao Rio, não deixe de assistir. E quem já está aqui, é só dar uma passadinha ali no Clara Nunes. Avenida Q é um espetáculo que dura cerca de 2h e meia, com alguns minutinhos de intervalo. Um musical muito divertido, que consegue fazer a gente rir e se emocionar ao mesmo tempo. Vale cada centavo do ingresso, que não é barato (80 reais é o preço no dia mais barato, quinta-feira). 

Não tem nada de politicamente correto, tem um texto inteligente e um humor simples e cheio de conteúdo - diferente de outras formas de humor gratuito. Vale a pena prestar atenção nas letras, porque muitas piadas estão nas músicas. Em uma delas, os atores cantam com irreverência: "todo mundo é meio racista". Saí de lá apaixonada pelos personagens, como a doce e peluda Kate, o homo-qualquer coisa Rod, o aspirante a genial Brian e o caçador de rumo Princenton, personagem principal da peça. Até o monstro Trekkie e a Luci De Vassa se mostram tarados encantadores. 

É incrível como a gente sai do teatro se sentindo leve depois de dor na bochecha de tanto rir, mesmo tendo a certeza de que somos de fato um pouco racistas. E pão-duros também. 

terça-feira, 5 de maio de 2009

Júlia e a tia coruja


sexta-feira, 24 de abril de 2009

Júlia e vó Tereza

Enfim, virei tia. E estou tão feliz que nem me importo de reconhecer: estas rugas são bem mais bonitas do que as que têm aparecido no espelho da minha casa. 

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Para Mauro

Sim, o Rio é mesmo violento. Sim, é um preconceito, porque o Brasil todo, e por que não dizer o mundo, são cheios de violência das formas mais variadas. Mas essa notícia que não cansa de aparecer nos jornais arrepia bem mais quando chega perto da gente. E chegou. O Mauro, colega de trabalho e amigo do meu namorado, foi assaltado na semana passada e levou um tiro. Ficou em coma até hoje, quando se foi. Não deu tempo de combinar uma cervejinha depois do trabalho nem de me tornar amiga dele. Ainda bem que não conheço ainda a dor de perder um amigo, mas parece que foi a primeira vez que esse sentimento chegou perto. 

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Um tchau


À primeira vista, é um sinal de despedida. E foi: me despedi de um longo silêncio e dei início a um lento recomeço. Aprendi muitas coisas com esse e outros silêncios. Uma delas é a sensação de conforto quando não podemos fazer ou dizer nada diante dos fatos.  Que ele nos aproxima das pessoas que já se foram. E nos distancia das coisas e pessoas que nos machucam. O silêncio também me ensinou que as palavras devem ser ditas com cuidado, porque elas têm muitos poderes. O silêncio me aproximou das palavras, porque me ensinou a respeitá-las. Com ele aprendi que a dor é uma doença sem cura, mas tem tratamento. Aprendi a dizer coisas sem ter que dizê-las, apenas para ter a agradável sensação de experimentar coisas novas, como uma criança. Ele me ensinou que há muito mais sabedoria em ouvir do que dizer. Também aprendi com o silêncio a confiar mais nos meus sentidos. Foi por isso que, depois de 8 anos de silêncio, ao me despedir da família no aeroporto, olhei pra minha irmã e disse "tchau". Não parece ser a melhor primeira palavra depois de um longo período de silêncio, mas foi o que saiu. Um tchau com sabor de olá. 

quinta-feira, 19 de março de 2009

Citação

"Aprendi que o amor é feito de liberdade. É como ter, todos os dias, muitas outras opções. E ainda assim fazer a mesma livre escolha". 

Não encontrei o(a) autor(a). Mesmo assim, ele(a) ganhou minha simpatia. 

terça-feira, 17 de março de 2009

Sono leve

Hoje eu queria agradecer por ter um sono que, de tão leve, é capaz de acordar com o som de um mosquito. Eu poderia sentir raiva por isso me trazer insônia tantas vezes. Mas tem uma coisa que acontece que torna essa leveza um grande privilégio. Toda noite, depois que o sono leva o meu amor para alguns centímetros de distância na cama, ele me acorda ao me abraçar de novo. Inconscientemente ou não, ele o faz, e isso me enche de paz. 

Bem-afortunados os que tem a graça de acordar toda noite assim. E quem diria, fortuna não é sinônimo apenas de riqueza; é também de destino.

terça-feira, 10 de março de 2009

Para meus amigos bobos


Vale a pena ouvir essa bela interpretação de Clarice Linspector por Araci Balabanian. Dica do professor Willian, que conheci há pouco e já se revelou um doce de pessoa. Daquelas que nos dão força para acreditar nas coisas mais bonitas e até em nós mesmos.  

Lá no final tem um trecho muito legal para nós, mineiros, cuja simplicidade ou "bobice" passaram de supostos defeitos a orgulho, depois das palavras de Clarice. 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Eu, doméstica


Nunca imaginei que ficaria feliz em comprar um pote plástico para guardar mantimentos ou um açucareiro. Muito menos pensei que um dia eu teria que parafusar, com minhas próprias mãos, a tampa de um vaso. Passei alguns momentos de pânico, achando que não conseguiria. Tive uma crise de choro dentro da Leroy Merlin quando estava escolhendo as luminárias. Eram tantas opções e combinações diferentes com as lâmpadas que achei que ia ficar louca. Nunca me senti bem sendo obrigada a entender (e a tomar decisões sobre) um assunto que definitamente eu não entendo. 

Estou me adaptando à minha nova realidade: a de dona de casa. É legal dormir no quarto sem cortinas e ficar observando a noite lá fora. Já acordar naturalmente com o sol na minha cara tem o lado bom e o lado ruim. Toda hora fico lembrando das minhas amigas que moram ou já moraram sozinhas dizendo que a gente fica muito chato e individualista quando mora sozinho. Por isso fico tentando me equilibrar ao máximo para não ficar assim. Mas eu sempre gostei de cuidar das minhas coisas, assim como das pessoas. A diferença é que normalmente eu me apego bem mais às pessoas do que às coisas. Ainda bem. 

Fico feliz por minhas escolhas e destino terem me trazido até aqui e me permitido passar por isso. Acho que é uma fase para que eu aprenda a me virar sozinha para que um dia eu possa aprender a dividir tudo isso com alguém. E não é que esse alguém já tá aqui pertinho? É bom demais e é verdade. 

*Créditos: essa imagem/frase ilustrativa engraçadinha é deste blog legal.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Vote no Jobão

Se eu passo 8 horas por dia (no mínimo) fazendo anúncios pros outros, por que não faria para um amigo gente boa e supertalentoso? Pra quem não conhece, ele é o Jobão e está concorrendo no Conexão Vivo de Música.

Entre aqui, clique em registre-se e faça seu cadastro. Se gostar do samba do Jobão, é só clicar em vote neste perfil. 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Déjà vu


Ontem fui levar meu namorado no hospital* e, enquanto esperava ele ser atendido, ouvi um médico falando com um velhinho. 

(médico) Senhor,  o que aconteceu com a sua mulher foi um sangramento dentro da cabeça e é caso de cirurgia. 

Velhinho em silêncio, sereno, faz sinal de positivo com a cabeça. 

(médico)  Ela já vai ser operada, tá bom? É grave.  

O velhinho continuou na mesma posição, estático. Nesse momento, eu me virei de costas para ninguém perceber minhas lágrimas. Logo depois, um médico chegou e me perguntou se meu namorado estava sendo atendido ali na salinha ao lado, e balancei a cabeça em sinal de positivo, como o velhinho. Ele viu meus olhos marejados e ficou sem graça. Pouco depois, uma senhora passou por mim numa maca, desacordada e já entubada, levada pelas enfermeiras. 

Eu não sei se aquele senhor bonitinho e simpático teve boas notícias depois. Mas sei por que fiquei tão comovida com aquele breve diálogo. É que eu me vi ali, numa situação parecida, tendo a mesma reação, 15 anos atrás. E percebi que a idéia de ter que passar por isso de novo ainda me dá arrepios. 

*para os amigos não se preocuparem, ele só quebrou o pé uma costela depois de um acidente de moto e vai ficar mais ou menos 1 mês de molho. Mas, com uma enfermeira tão dedicada, acredito que ele vai se recuperar antes :)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A outra

- Você tá diferente.
- Ih, lá vem você de novo. Podemos conversar amanhã?
- Não, eu quero conversar agora!!
- Hum. Pode falar.
- Aí, tá vendo? Você tá diferente. Aposto que tem mulher nessa jogada.
- Mulher? Cê tá doida?
- Tem 2 semanas que a gente não transa.
- Que isso, linda, e ontem à noite?
- Fala sério. Tô falando de sexo mesmo, daquele jeito que a gente fazia no início.
- Silêncio. 
- Vai ficar calado de novo? Você não consegue conversar sobre nada mesmo! Que droga.
- Benzinho, tá tudo bem... Só tô cansado. Vamos dormir, amanhã te levo naquele motel que você adora. 
- Pode falar. Quem é ela? É do seu trabalho?
- Não tem outra, eu já disse. 
- Eu vi que você comprou um presente esses dias. Aposto que era pra ela.
- Você tá vendo coisas. Vou dormir.
- Não se faça de desentendido! Você dorme com ela toda dia.
- Ah, pelo amor de deus, cê tá falando da minha mulher?
- Você é um filho da puta mesmo. 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Ansiosa

Estou roendo todas as unhas, dormindo e acordando com pesadelos, enchendo a paciência do meu namorado e fazendo compras alucinadamente (esse é o maior sinal). Ainda bem que eu não fumo. Estou começando a achar que isso é falta de um bom livro pra ler. 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Flor do dia

Ontem eu vi Benjamim. Por curiosidade, pesquisei o significado do nome: "filho da felicidade". Por coincidência, saí do cinema mais feliz do que entrei. 

Algo me diz que o meu momento tem tudo a ver com aquele beija-flor do filme. E assim cheguei a uma suave conclusão: apesar dos beija-flores serem os únicos que conseguem voar em marcha-ré e ficar parados no ar, eles preferem pousar sobre as flores. 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Estranhas normalidades e julgamentos


Todo dia às 07:45, 07:50, pego um ônibus na Barata Ribeiro para a Barra. Vou andando em direção ao ponto bem atenta ao trânsito. Se passar algum ônibus, dou sinal pra ver se o motorista para (agora sem acento) fora do ponto. Às vezes pego o 175, cheio de gente, sempre com um motorista doidão. Às vezes pego um com ar condicionado, um pouco mais caro, e até um frescão* de R$5,50, no qual vou dormindo tranquilamente até chegar ao Extra da Av. das Américas. Em breve essa rotina vai se alterar completamente, porque  vou morar a 2 quadras do trabalho, num bairro completamente diferente de Copacabana. Mas vou tentar evitar pré-visões a respeito e deixar pra falar sobre isso quando conhecer melhor a Barra.  

É engraçado. Na zona sul têm várias favelas, mas elas passam despercebido. Parece que todo mundo faz-de-conta que elas não existem. E lá pelas bandas de Madureira e na Baixada têm bairros e vilas que mais parecem uma cidade do interior dentro da cidade grande. Tem gente de Ipanema que nunca pegou um ônibus. Tem gente do Leblon que já subiu a Rocinha inteira para o aniversário de uma colega moradora da favela. Tem gente que não passa de carro perto do morro de jeito nenhum. E tem gente que não está nem aí. Essa gente eu comecei a conhecer e a trocar figurinhas e desavenças. 

Tem horas em que me sinto um peixinho fora d'agua, excluída, diferente, anormal, estranha, desintegrada. É que falta muito para começar a perder meu sotaque e minhas mineirices. Não queria julgar como às vezes me sinto julgada. Queria aprender com isso para quase nunca fazê-lo (digo "quase" porque nunca é pretensão demais).  Estou exercitando minha paciência, testando minha humildade e ensinando minha boca a perceber a hora certa de abrir e fechar. O silêncio tem preenchido a maior parte desses momentos. Fico recolhida e por vezes tristonha. Aliás, hoje estou me sentindo um pouco como a Chris e a moça desse vídeo muito legal (a diferença é que graças a Deus tenho um homem maravilhoso pra cuidar do meu sono). 

Ah. Aqui no Rio não faz tanto calor assim. Chove muito. Pelo menos em relação à temperatura já estou ambientada. O que significa que talvez eu não esteja tão fora d'agua assim. 

*ônibus de viagem na gíria carioca. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Do nível do mar

Quem disse que montanha não tem mar?
Observe as curvas que cobrem-na por inteiro. São como ondas.
Poderia chamar de algas as árvores que nascem no seu peito.
Quando fica coberta de neve lembra as águas cheias de icebergs.
O vento passa por lá com a mesma generosidade das áreas litorâneas.
Dizem que a montanha é um acidente geográfico. Quem dera enfrentar engarrafamentos nas trilhas de mato e morrer vítima deste acidente num dia qualquer.
A maior parte dos rios nasce ali nas montanhas. Depois vão embora e, se porventura caem em pororoca no caminho, fazem amor selvagem com o mar e deixam de lembrança sua doçura. 

A este sopro de pensamento, que não dura mais que um breve momento, dou o nome de saudade. 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Arrepender-se

é não conseguir se perdoar. 

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Os pesadelos de Lisi


Num sonho muito, muito distante, vivia uma bela camponesa que atendia por Lisitheia. Os mais próximos a chamavam de Lisi. Seus olhos eram quietos e suas pernas sempre trêmulas. É que os sonhos de Lisi não a deixavam dormir. 

Toda noite, Lisi tinha o mesmo sonho: seu amado Ganymed fugindo com outra. Altas horas da noite ela acordava ofegante e abraçava seu homem com força, como que implorando para não deixá-la. Ele, semi-acordado, abraçava e acalmava a moça com um beijo adormecido.

Muitas noites se passaram, muitos anos também, e o mesmo sonho continuava a atormentar as noites de Lisi. Seus olhos estavam cada vez mais quietos e baixos e suas pernas passaram a tremer menos, porém com mais intensidade, batendo uma na outra. Até que, numa noite dessas, Lisi acordou aos prantos com a cena cruel de Ganymed fugindo com outra e, ao esticar os braços sobre a cama, percebeu que ele não estava lá.

E então Lisitheia despertou de um outro sonho, este sim, muito, muito distante, e lembrou que Ganymed já tinha sido dela, uma única vez. Ele usava aliança e desapareceu depois daquela noite.

Lisi nunca mais teve aquele sonho ruim. Mas depois de um tempo, ela se deu conta de que preferia sonhar com seu amado fugindo com outra mulher do que encarar o fato. Ele jamais estaria ali na cama para confortá-la quando despertasse de madrugada. 

E ela continuou despertando muitas vezes no meio de outros pesadelos. 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

2009

O mar agora está longe, apesar de perto.
Fico quieta dentro das minhas montanhas.
Tomo maracujina antes de dormir e tenho medo dos pés de galinha.
Saudade das galinhas da minha avó.
Acho difícil tolerar ignorâncias já poderiam ter sito superadas.
Estranho almas pequenas pretensiosas.
Já não sinto tanta melancolia no aniversário. 
Sinto os 30 ficarem mais próximos e os 20 cada vez mais distantes.
O passado tem ficado cada vez mais guardado. E calmo.
O presente certo me assusta mais que o futuro incerto.
Estou curtindo a minha casa e o meu sotaque.
É lá que eu me sinto bem sozinha, porque quanto mais eu me basto, mais eu gosto de compartilhar.
Minha lua este ano é a nova. Completamente cheia. 

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Coisas de rotina carioca

Ontem vi pela primeira vez um artista aqui no Rio. Na verdade, uma artista: Ingrid Guimarães. Ela passou correndo no Barra Shopping e nem deu pra ver direito. Mas o importante é que finalmente eu consegui ver algum artista! Só pra contar pro povo de BH mesmo, que vive me perguntando "você ainda não viu ninguém da Globo, não?". Agora posso dizer que vim sim, aquela mulherzinha engraçada da peça Cócegas. E daí, né? 

Agora que já estou estabelecida começa a acontecer o que já era mais que esperado: as coisas já não têm tanta "graça" como tinham no início. Já não são novidade. Mas o legal disso tudo é que agora que começa o real processo de conhecer o Rio. De andar pelas ruas e começar a identificar coisas mais de dentro desse universo, mais sutis, menos superficiais ao olhar de quem vem de fora. A beleza que ainda está por descobrir. Vamos em frente porque já não dá tempo de olhar pra trás. Só de ter saudade. 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A frase de hoje

Acabei de escrever o post abaixo. Por acaso peguei o livrinho de provérbios "Mãe Stella de Oxóssi" que o Nizan deixa para os funcionários. E caiu na seguinte frase: 

"Agbasa baba okuta" - "A rocha é o pai da pedra. O pai é a força do filho".

Que força de pensamento! 

Bem perto da pedra

Tô morando temporariamente perto de uma pedra bem grande. Não é essa aí da foto, não. Mas é uma pedra bacana também, fica no final de Copacabana. Às vezes sento no sofá da sala e fico olhando a pedra. Tudo de mais instável que estou vivendo oferece uma suave contradição com a vista da pedra. É engraçado, mas no fim das contas a sensação é de paz. Se meu pai estivesse aqui comigo - e está - ele acharia essa experiência o máximo. Esse pensamento me faz entender com mais clareza de onde sai tanta força pra que eu não me sinta sozinha ou com medo. É a presença dele dentro de mim. 

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

A saudade que voltou do churrasco




Com tanta saudade e vontade de lágrimas (de alegria), fiquei sem palavras.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Silêncio

Ouço sua voz dizendo baixinho: aguenta firme. 
Algo deixa meus olhos inquietos, trêmulos e umedecidos. 
Sei que a sua força me empurra pra frente. 
Há algo místico, estranho, triste e fascinante em se sentir sozinha. 

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Meus novos colegas da DM9

Dudu e Thiago abraçando o prêmio

Lu e Fabinho dançando a "Dança do Oxiurus"

Dudu (o estagiário que tomou a iniciativa do ano) recebendo o prêmio pela DM9

Lu, Thiago, Rafinha, Gu e Paula

Turma super gente boa no Prêmio Globo RJ - ontem

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Meu primeiro contato com o Rio

Ontem foi meu primeiro dia de trabalho e fui pra agência caminhando no calcadão. Andei uns 40 minutos, mas nem senti o tempo passar. É uma energia impossível de explicar. 80% da minha ansiedade já se foi e agora estou sentindo mais paz do que qualquer outra coisa. Muitos desafios pela frente mas a certeza de ter feito a escolha certa, aconteça o que acontecer. À noite passeei pela praia numa feirinha em Copacabana e fui chamada de "tica" pela moça da barraca. Não entendo porque as pessoas acham que eu sou estrangeira. Conheci um mineiro num restaurante, senhor de uns 80 anos, atleticano fanático. Perguntei pra alguns porteiros sobre aluguel de apartamento mas ainda não consegui nada. Tudo vai aparecer na hora certa. Pessoas muito bacanas estão ao meu redor e a pessoa mais importante de todas está pertinho. Muita, mas muita saudade dos que ficaram, e sei que essa saudade só vai aumentar. Mas estou mais perto das pessoas que amo do que nunca, porque sinto a energia delas aqui comigo, me fazendo companhia o tempo todo. No mais, o Rio continua lindo e calorento.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Rio... lá vou eu!

Uma ligação na sexta-feira e lá se foram três noites sem dormir. Meu corpo ainda está anestesiado, meus pés doem, meu olho se enche de lágrimas toda vez que caio na real de que o grande momento chegou. Consegui o que eu tanto quis, o que tanto concentrei minhas energias nos últimos anos. E meu amor já me avisou: "cuidado com o que você quer, porque tudo que você quer você consegue". Não acho que sou tão poderosa assim, sei que é preciso batalhar muito para que as coisas aconteçam. E eu sei como eu batalhei pra que essa oportunidade aparecesse. Tenho certeza de que boas energias vão me acompanhar e que o Rio vai me receber de braços abertos como na foto. Porque é assim que estou indo: de braços abertos pro Rio. Só de pensar em quantas pessoas que eu amo, adoro e admiro vão ficar aqui, além da minha família inteira, me dá um aperto no peito que nem sei explicar. Para homenagear cada um deles nesse momento, pensei em deixar aqui registrado algumas doces palavras que recebi deles logo que avisei do acontecido. Muito, muito obrigada a todos vocês, meus amigos.
  • "Ai meu coração!!!! Tudo bem que eh para o bem da Lú.... nossa mais que dor.... já estou com saudades!!!"
  • Muito legal! Estamos todos orgulhosos de você. Pode deixar que um dia apareceremos por aí - e faço questão que o chopinho seja em Copacabana, hehe."
  • "Luana, menina guerreira! Parabéns... boa sorte e muiiiiiiiiiiiiiiiiita diversão! Que os novos e bons ventos lhe empurrem para o sucesso."
  • "Lembra quando vc me disse a respeito de ver o Washington Olliveto e achar um barato, achei um máximo ter uma amiga que trabalha na DM9."
  • "YEEEEEEEEEEEEEAAAAAAAAAAAHHHHHH!!!!!!!! Preciso dizer mais? Buena sorte, Luana, você merece."
  • "Meu anjo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Boa sorte em tudo!!!!!!!!!!!!!!!! Mande notícias sempre. Eu torço por vc, Luana, de coração...Um beijo e que os anjos sobrevoem cada sonho e desejo seu."
  • "Luana, como fiquei feliz com a notícia. Nossa que coisa ótima. Estou MUITO FELIZ MESMO. Parabéns.... Um grande abraço e sucesso. Você merece. No reveillon tô lá. Tem que levar roupa de cama? rsssss"
  • Nossa Luana, parabéns!!! Muito sucesso, trabalho e amor no Rio de Janeiro, cidade que ficará mais maravilhosa com a sua presença.
  • "Ahhhhhhh menina Luh, toda essa competência e dedicação tinha que ser recompensada a DM vai brilhar mais com a sua presença por lá. Sucesso e mais sucesso, você é uma vencedora."

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Um fim de semana com as banzoqueiras

Começou com um dia de sol, churrasco e piscina e terminou numa noite de dança, pandeiro e ice. E lá estavam minhas grandes amigas do coração (duas não fisicamente, mas presentes do mesmo jeito). Era tudo que eu precisava. Não sei explicar direito que pilha é essa de energia que me carrega toda vez que encontro vocês. É como se todos os problemas fossem pra bem longe e a vida mostrasse de novo que ela é boa demais! Se eu tivesse que definir nossa relação em apenas um palavra, eu diria esperança. Esperança de que o amor verdadeiro e eterno existe, sim. E enquanto esse sentimento estiver vivo dentro de mim, é mais que o suficiente para que eu nunca pare de sorrir.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Meus 25 anos

Hoje me dei conta de que faltam pouco mais de 2 meses para eu completar 26 anos.
E poucos momentos na minha vida foram tão cheios de mudanças, reflexões e brigas internas como os meus 25 anos. Comecei a relembrar os sonhos mais idealistas: morar numa praia quase deserta, trabalhar como vendedora de cerveja e artesanatos, abrir uma pousada. Pensei até em abrir uma barraca no Mercado Central. Já fiz e refiz meus planos de morar no Rio diversas vezes. E continuo pensando neles. Quanto mais estável fico profissionalmente, mais eu sinto falta da instabilidade, da mudança que provoca. Pela primeira vez na vida, senti vontade real de ser mãe. E isso por enquanto é apenas um esboço de pensamento, porque tenho plena consciência de que ainda é cedo (ou não?). Estou mais calma e, ao mesmo tempo, mais ansiosa. Pode parecer estranho, mas essa é a minha fase mais contraditória. Descobri que vou ser tia e fiquei tão feliz. Nunca estive tão próxima, de verdade, da minha família. Estou mais autoconfiante. Não tenho mais tanto medo de perder as pessoas. Aprendi muito a lidar com a morte, com a ausência e com o abandono. Hoje fica mais claro o que significa estar bem sozinho para conseguir estar bem junto com alguém. Consegui me livrar plenamente da minha veia pessimista e hoje atraio muito mais pessoas positivas pra minha vida. Não procuro mais a felicidade, mas dou muito valor aos momentos felizes. Quanto mais coisas materiais e dinheiro consigo, menos eles ficam importantes pra mim. Choro bem menos hoje. Não que eu tenha que fazer força pra não chorar; naturalmente as minhas lágrimas perceberam que não vale a pena chorar à toa. A cada dia amo mais os meus amigos e amigas verdadeiros e tenho consciência de quem eles são. Estou com menos paciência para baladas e frequentemente costumo substituí-las por um encontro em casa com as amigas, um filme com pipoca, um fim de semana no sítio. É estranho se sentir com 25 anos, já com alguns pés de galinha e com esse medo de começar a ficar ranzinza (como a gente vê todos os adultos e velhos durante a adolescência). É por isso que ainda cultivo meu lado mais bobalhona, roceira e falante de palavrões. Porque é assim que eu quero continuar com 35, 45, 55, sem deixar de viver com a maior intensidade o que cada época reserva de melhor pra gente.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Dos “defeitos” que estou aprendendo a amar

Rôo unhas até hoje.
Sou ansiosa, às vezes até machuco os dedos.
Preguiçosa, custo a acordar.
Tenho insônia, demoro pra dormir, durmo mal, tenho sonos horríveis, acordo com sono.
Carente, preciso sempre de um abraço.
Palavras que não são caridosas me machucam, pois não sei colocar escudos pra rebatê-las.
Choro muito, muito mesmo. Por qualquer coisa.
Fico vermelha quando estou com vergonha ou com medo.
Sinto medo. Principalmente de bichos: aranha, barata, sapo, besouro, grilo.
Confio demais, me entrego demais, amo demais, tudo intenso demais.
Não gosto de coisas superficiais e não dou muito certo com pessoas assim.
Tento fazer tudo da maneira mais certa, mais justa, mais coerente. Isso me faz ser muito chata às vezes.
Sou perfeccionista, detalhista, prática, objetiva e subjetiva, cheia de contradições.
Faço questão da sinceridade (sem confundir com “verdade”, na qual não acredito) e costumo sempre me machucar por nem todo mundo acreditar nela ou entendê-la.
Detesto preto. Minha cor é o branco, ou melhor, o transparente.
Sofro por amar sempre demais. E continuo querendo amar e sofrer.
Sofro por lutar por justiça e nem sempre conseguir.
Minha inteligência espacial é super fraca.
Sou lerda e avoada, enquanto fico super concentrada.
Brigo quando queria ouvir palavras de carinho.
Tento não guardar mágoas nem transmiti-las a ninguém, mas quem paga o pato é sempre meu corpo ou minha saúde.
Sou porquinha e faço coisas que “mulheres direitas” não costumam fazer na frente dos outros.
Deixo comida no prato, o que significa que não sou politicamente correta em tudo.
Sou chata com minhas coisas, super protetora.
Se eu pudesse e tivesse ousadia para tal, só andava de chinelos.
Sim, eu sou uma mulher que detesta salto alto.
Como doces demais e verduras de menos.
Tenho preguiça de fazer unha e de ir ao salão de beleza.
Sensível a temperaturas, sempre sinto frio ou calor demais.
Não tenho gosto musical apurado, pois gosto de sertanejo.
Bebo cerveja.
Fico louca com vitrines, roupas e sapatos.

E minha lista de defeitos é interminável. Estou aprendendo a conviver com eles, a aceitá-los, a amá-los – o que faz parte da busca por me amar exatamente do jeito que eu sou – para então conseguir começar a mudar cada um deles, ou lidar com eles da melhor forma possível comigo e com os outros. E pensar que essa reflexão toda começou no último fim de semana lá em Ouro Preto, depois de algumas taças de vinho. Terapia das melhores. Obrigada, meu amor, por me ajudar a me conhecer e a querer ser uma pessoa melhor.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Maré calma


Tô com saudade da praia. Há muitos meses não vejo nem sinto o mar. A última vez em Ipanema foi uma decepção, bandeiras vermelhas por toda parte, o mar mais bravo do que de costume. O mar estava diferente naquele dia, nervoso por demais. Nem pude entrar direito, nem um mergulho, só meus pés tocaram de leve a água.

A penúltima vez também foi uma decepção. Praia extremamente lotada. Até aí tudo bem, eu não me importaria com a areia porque eu gosto mesmo é do mar. O problema é que o mar também estava lotado. Credo, muito lotado. Não dava pra nadar, eu trombava em alguém o tempo todo. Meu lado claustrofóbico falou mais alto e então resolvi ir embora.

Mas não me esqueço de uma tarde em que fui sozinha pra Ipanema, em pleno dia útil, eu de férias no Rio de Janeiro. Meu amor trabalhava e, pra passar o tempo, decidi ir pra praia. Em nenhum lugar me sinto tão em casa. Lembrei-me de uma vez em que ele me disse: “Você deve ser filha de Iemanjá. Senti isso logo na primeira vez que te vi no mar. Você se sente tão à vontade, parece um peixinho”. Bom, essa tarde em Ipanema foi diferente. A praia vazia, deserta, tantas opções de lugar na areia que acabei optando pelo mais óbvio e aconchegante: a barraca do mineiro. Talvez por estar ali sozinha, me sentindo meio desprotegida, esse tal de mineiro provavelmente me salvaria caso acontecesse algum problema. Pensamento imbecil, é claro. O incrível é que não me lembro exatamente do que aconteceu naquelas horas, parece que minha mente ficou tão vazia, que eu só conseguia olhar o mar, sentir a brisa e o sol. Eu não precisava de mais nada, só ficar ali. Não pensei em nada, não sei quantas ondas pulei, não sei quantas horas ali passei.

Ipanema tem um encanto que não consigo explicar. A praia no Leblon não me encanta tanto assim; sempre que vou andando até lá acabo voltando pra perto do posto 9 e meio. Talvez seja porque a montanha ali no Leblon é o fim da praia, então quanto mais me aproximo do fim, menos quero ir até ele.

Pra mim a praia é o lugar mais calmo desse planeta, ou o lugar onde eu mais me acalmo. Preciso me reencontrar logo com ela. Essa sensação quase aflita de saudade deve ser porque minha vida está com excesso de ruas retas e escassez de ondas. Preciso tomar uns “caldos” pra refrescar.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Anjos

Alguns anjos passam pelas nossas vidas para nos fazer sorrir de um jeito doce, suave e permanente. Mesmo que suas asas voem em torno de nós por tempo limitado, seu rastro gruda em nosso coração. Anjos nascem e vivem para fazer o bem a si mesmo e aos outros, para espalhar energia de felicidade, mesmo que seus olhos denotem melancolia. Eles têm o poder natural de transmitir paz. Mesmo que alguns momentos sejam de tristeza intensa, seja pela dor da perda, seja pela inquietude diante dos fracassos e limitações, anjos são luz e alma sensível ao toque de qualquer flor. Anjos não passam pelas nossas vidas por acaso. Eles nos chamam o tempo todo para voar junto deles, nos contaminam com sua luz, nos levam para mais perto do sol e na terra nos fazem caminhar com mais música.

Giba, anjo amigo, sua paz já vai secar suas lágrimas. Ainda tem muito vento por aí e tempo pra gente sobrevoar.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

A bubucha vai perder a majestade

A notícia veio ontem,
o neném só chega daqui a 8 meses.
Vou ser tia!
E minha mãe finalmente será avó.
Será menina ou menino?
A novidade já irradia alegria por toda a família.
Pôe a Carminha no psicológo,
a Carminha vai ficar doida,
ninguém vai agüentar a Carminha.
Vai sim, porque agora ela vai se sentir mais completa do que nunca.
Nossa casa vai ganhar mais vida!
Que venha o choro de fome,
as noites mal dormidas,
o leite pra alimentar.
A tia Lu estará sempre lá.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Não deixe o samba morrer...


Lapa, Rio de Janeiro, sábado à noite.

Poderia ter sido só um sábado à noite. Mas foi tão mais, tão domingo, tão noite que não queria acabar nem calar. O silêncio se foi e a música preencheu o nosso sábado com tanta força, movimento e paixão que até a lua foi pequena perto da luz que se formou entre nós. Pessoas tão felizes na porta do teatro já denunciavam o que estaria por vir. Surpresa mais que agradável, me fez sorrir por três horas seguidas, mexer as pernas, cantar baixinho, ou apenas olhar com admiração tamanho espetáculo. “Eu sou o samba” merece ser visto. Pena que havia tão poucos jovens como nós. Como diria a minha avó, os jovens normalmente não sabem o que perdem. Ver a paixão no rosto daqueles atores, músicos, artistas e sonhadores, ver a força com que eles se entregam ao movimento e ao calor do samba, sentir aquela energia boa, saber um pouco mais da nossa história... Saímos de lá direto para o Rio Scenarium. E o samba continuou a embalar a nossa noite, você me carregava por todos os andares, por todas as músicas, me protegendo dos olhares indiscretos, confirmando meu sorriso de satisfação, trazendo mais e mais cerveja, junto com muitos afagos. Na pista, você tirou meus pés do chão e me levou pra bem perto do céu, tamanha alegria daquele momento. No fim da noite, pelas ruas da Lapa, olhei pra lua e senti-a bem perto de mim. Só queria me afogar nos seus braços até sempre, cantarolando “não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar, o morro foi feito de samba, de samba pra gente sambar”...

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

O homem da minha vida

Cheguei hoje no trabalho e olharam pra mim de um jeito estranho. Já não falam mais a respeito, já não me perguntam o que aconteceu. Acho que eles se sentem constrangidos, com pena, ou simplesmente ignoram.

O homem da minha vida é um bom homem. Ele me dá tudo que eu quero, compra roupas da minha marca favorita, jóias caríssimas, morre de ciúmes, reclama do meu decote, me abraça de um jeito que eu gosto – apesar de não fazê-lo na freqüência que eu gostaria. Faz declarações bêbadas e falsas de amor em público, diz que morreria se eu fosse embora. Mas quando estamos só nós dois, engraçado, ele não diz nada. Mal olha nos meus olhos. Talvez porque ele sabe que eu não vou embora. Pelo menos, ele acredita nisso.

O homem da minha vida chega em casa às 7h da manhã, passa sábados e domingos não sei onde, namora uma vagabundinha qualquer de vez em quando, me chama de vagabunda de vez em quando. Já tem dois meses que a gente não se beija. Ele acorda antes de mim, deixa um dinheiro no criado e sai sem deixar nenhum rastro. Nem um beijo no rosto de “até logo”. Ele prefere que eu não use maquiagem e use roupas largas, pra que ninguém me ache bonita. Acho que não sou mesmo bonita. Minhas melhores amigas sentem mais raiva de mim do que dele, porque eu não faço nada.

Eu queria acreditar que o nosso amor existe e é forte o suficiente pra passar por cima de tudo. Mas perdi um pouco a noção do que é amor nos últimos anos. Ou melhor, acreditei num amor que nunca existiu e agora não tenho forças pra buscar um amor de verdade. Deve ser destino.

Às vezes dá vontade de vestir uma saia curtinha, passar um batom provocante e corresponder a um olhar sedutor qualquer. Só pra me sentir desejada por um momento, só pra imaginar um homem de verdade fazendo com que eu me sinta uma mulher de verdade. Mas só de imaginar o que ele faria comigo se ficasse sabendo, desisto dos meus pensamentos.

Ontem à noite o homem da minha vida me bateu mais uma vez. Um soco no rosto e alguns chutes na barriga. Não ficou tão roxo dessa vez. Chorei um pouco. Não sei bem o motivo, tentei conversar com ele e entender, acho que aconteceu alguma coisa no trabalho, ele deve ter ficado nervoso e descontou em mim. Amanhã passa. Preciso acreditar que ele ainda é o homem da minha vida. Apesar de que essa não é a vida que eu imaginei pra mim. Eu nunca imaginei que seria assim. Será que terei outra chance, outra vida? Será que vai aparecer algum homem pra me salvar e me levar embora num cavalo branco, como nos contos de fada? Talvez já tenha aparecido e não tive coragem de ir. Talvez não exista nenhum homem e só eu mesma possa me salvar.

Hoje eu cheguei no trabalho e achei estranho porque ninguém me perguntou nada. Eles devem ter se acostumado, assim como eu. Já sei! Amanhã eu passo um corretivo e ninguém vai lembrar de mais nada.

Para algumas irmãs de coração. Todos os dias penso em energias positivas para vocês.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Conversa

- Tô com saudade.
- Não precisa, estou sempre com você.
- Mas já faz tanto tempo que não te vejo.
- Eu te vejo o tempo todo.
- Por que eu não posso te ver?
- Não é isso que importa. Você pode me sentir, não pode?
- Sim. O tempo todo.
- Não gosto de te ver chorando. E você fica mais bonita de cabelo solto.
- Queria ficar de mãos dadas com você agora. Como naquela vez, na cachoeira.
- Você continua medrosa do mesmo jeito. Já falei que pode confiar em mim, nunca vou te soltar. Não vou te deixar cair.
- E se eu não agüentar? E se eu cair?
- Você sabe que não vai.
- É mesmo, eu sei.
- Por que não tira essa camisola velha, veste uma roupa e sai pra se divertir com suas amigas?
- Ah, hoje não tô afim.
- Então por que não lê esse livro super bacana aí do lado? Deixei muitos livros em casa pra você ler.
- Com o olho ardendo desse jeito? Nem pensar. Eu só quero conversar com você agora.
- Tem coisa muito mais interessante pra você fazer.
- Seu chato!
- Seu cabelo agora está mais curto do que na última vez que nos vimos.
- Vai me dizer que você não lembra? Quanto mais velho a gente fica, mais a gente corta o cabelo.
- É mesmo, quando eu era da sua idade, tinha os cabelos compridos.
- Queria um pouco de paz.
- Só você sabe o que te traz paz.
- Você traz.
- Eu não sou o suficiente. Já te ensinei isso, filha.
- Brincadeira. Só pra ouvir você me chamar a atenção mais uma vez.
- Estarei por perto, viu.
- Peraí, aonde você vai? Não vai, não!
- Olha no espelho. Seu olho melhorou. Você já está sorrindo. Já consegui o que eu queria! Hehe.
- Hum. Só você mesmo.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Estudo arte e gosto de sertanejo

Estou fazendo um curso de Estética, focado em artes. Ontem a aula deu uma polêmica e tanto, e minha cabeça rodava o tempo todo pensando em mil associações com a minha vida, meu trabalho, com conhecidos e desconhecidos... O que me fez confirmar que as pessoas com muito conhecimento, muuuito mesmo, têm uma enorme chance de ficarem loucas. Esse tipo de aula é um grande incentivo, dá uma vontade de fazer vários outros cursos, aprender mais e mais, viajar...

Estou ficando ainda mais hiperativa. Agora, além de querer conhecer a África, Índia e Egito, aprender inglês, italiano e espanhol, também quero ir pra Grécia de qualquer jeito. Por isso tenho que dar andamento rápido no meu plano de ficar rica! Mas as ações não estão ajudando nem um pouco...

No final das contas, quanto mais eu aprendo, mais eu também tenho certeza de que conhecimento é muito bom, mas as coisas simples são as mais importantes. Por isso, se um dia eu conseguir aprender muito sobre música (que é um sonho), por mais apurados que fiquem meus ouvidos, dificilmente vou deixar de gostar de sertanejo. Foi ouvindo sertanejo que passei meus melhores momentos lá em Bom Despacho, é o sertanejo que me acompanha na cervejinha do fim de semana, como eu poderia negar que o sertanejo me dá vontade de dançar, rir e chorar? Eu gosto de sertanejo e pronto, e não tenho nenhuma vergonha de falar isso pra todo mundo.

E já que estou estudando artes (me perdoem os críticos por citar a música sertaneja no mesmo contexto de um assunto sobre arte), queria registrar as palavras do meu professor de cinema, que eu nunca esqueci: “a literatura é a arte mais intelectual; a pintura é a arte mais técnica; o teatro é a arte mais humana; o cinema é a arte mais complexa; e a música é a arte mais divina.”

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Bubucha - minha sobrinha mais linda!!


Ela é manhosa, carinhosa, fiel, chorona, sensível, amiga, companheira e usa trancinha de vez em quando.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Era uma vez...


"... uma mineirinha e um carioca que se conheceram lá em Ilha Grande, onde os anjos tomam conta das almas e das marés. Os dois decidiram então desafiar todos os ventos-contra. Em pouco tempo, mostraram pra todo mundo que amor que já nasce Grande pode vencer qualquer distância. Caraca! Ela, com seu jeitim quietim, amoleceu todo aquele jeito marrento dele. Afinal, amor de ilha é assim: selvagem por dentro e protegido por um mar sem fim."

Um casal deste jeito (publicitária + estatístico&artistaplástico) só podia dar nisso mesmo.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Lembranças do Congresso

Eu, Diogo, Kika e Caule no jantar. Como diz a Kika, arraaaaaaasa!!

segunda-feira, 28 de julho de 2008

A mulher e o ônibus

Madureira é um bairro interessante. Parece que tem pouco comércio, mas se você reparar bem, tem tudo perto. O grande mercadão, os shoppings Carioca e Madureira, tem locadora, buteco, restaurante, padaria e vários puteiros (o que poderia me preocupar um pouco, mas não preocupa). Ontem estávamos eu e meu carioca andando pelas ruas de Madureira, até que avistamos de longe um murmurinho, um pequeno aglomerado de pessoas. Confusão na certa...

Andamos mais um pouco e começamos a ouvir os comentários dos curiosos de plantão. “Pobre coitada! Será que morreu?” “Com certeza tava cheia de problema, desesperançosa da vida, fazer o quê...”. Pelos primeiros bafafás, deu pra perceber que se tratava de um acidente. Vi os pés de uma mulher deitada na rua, as pessoas em volta, o ônibus parado bem ao lado. Minha pressão já fez sinal de baixar, e então atravessei a rua, quis passar pelo outro lado, não olhei. Já bem próximos do acontecido, mais comentários revelavam o fato: “o que será que leva alguém a fazer isso, meu Deus? Se jogar na frente de um ônibus!” “Parece que bateu na cabeça dela bem forte, acho que já era, viu, deve tá morta...”.

Passamos bem rápido por aquela cena horrível. Alguns quarteirões à frente, ainda conseguimos ouvir murmúrios a respeito. Mas eu queria começar a esquecer e pensar em outra coisa. O Rio tem dessas coisas, a gente vê de tudo, tem que se acostumar rápido, tem que seguir em frente.

Depois desse fato, perdi um pouco do pré-conceito com os motoristas de ônibus de lá. Sempre achei os caras os mais malucos e sem-noção. Um absurdo deixar os ônibus nas mãos deles. Mas esse motorista deve ter passado um mal bocado. Provavelmente não teve culpa nem o que fazer diante da mulher que pulou na sua frente. Se pra essa mulher a vida tava difícil, por outro lado, morrer é muito fácil.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Kofi Annan no Congresso de Publicidade


Duas grandes atrações do Congresso foram, sem dúvida, Kofi e o sempre inspirador Nizan. E o que este falou no seu painel sobre a criatividade brasileira tem muito a ver com a presença e o discurso de Kofi. Nizan ressaltou que nós, criativos, precisamos beber de outras fontes e turbinar nossa criatividade buscando conhecimento em áreas diversas como música, filosofia, história e quaisquer outras. Além disso, toda a sua tese foi baseada na defesa do intercâmbio e formação de profissionais com visão e ambição mundiais.

Diante disso, nada melhor do que beber na fonte das palavras de um ex-secretário geral da ONU. Kofi transmite paz não apenas no seu discurso, mas no seu tom de voz, na sua expressão e presença. “Todas as manhãs temos que acordar lutando pelos direitos humanos”. Outra bela lembrança: “A Terra não é nossa. A Terra é um tesouro que guardamos para as gerações futuras”. Com essas palavras, ele quis alertar sobre o problema das mudanças climáticas, da pobreza, da injustiça, sugerindo que usemos nossa criatividade para resolvê-los. Isso diz muito sobre a nossa responsabilidade como comunicadores.

Agora, só pra descontrair, eu não poderia deixar de dizer que pessoalmente ele se parece muito mesmo com o ator Morgan Freeman. Impressionante!

sábado, 5 de julho de 2008

A briga nossa de cada dia

(porque) - Eu sou o cara. Sou a razão de tudo. Nem sei por que vocês existem.

(por que)
- Seu burro, você não sabe nem onde fica seu nariz. Olha o que você acabou de dizer!

(porquê) - Não precisa discutir, gente, eu sou o mais importante. Se não fosse eu, ninguém saberia o porquê de nada.

(por que) - Até parece. Eu sou muito mais culto do que todos vocês juntos. Sou o pilar da filosofia, de todos os questionamentos da humanidade!

(porque) - Grande coisa. Eu sou a resposta de tudo. E ponto.

(porquê) - E você, por quê, vai ficar calado aí? Só porque você é sempre o último, hehe... Fica triste não.

(por quê) - Cala a boca, cara. Nunca ouviu falar que os últimos serão os primeiros? Pelo menos eu não sou amarrado a nenhum artigo.

(porque) - Acho melhor a gente parar com essa discussão ridícula.

(porquê) - Tá bom.

(por quê) - Falou.

(por que)
- Por que?

(porque) - Ah... Deixa ele aí falando sozinho. Vai ficar sem resposta mesmo.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Bastidores de uma campanha

Eu, Leo (minha dupla infalível), o grande fotógrafo Miguelito, Luah (a atriz) e Lesley (o maquiador).

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Minha versão gueixa

Do Oriente vem a ruptura, a linguagem que não quer ser linear, a disciplina que encanta. Do traço misturado ao pincel vem mais uma representação do amor. Mais uma fase da lua.

Gueixa mulher arte. Sirley Alex, 2008.
Acrilica sobre tela, 80 x 93 cm.

Minha versão "ninfa"

Sentimento cheio de semiótica. Guerreiro cansado, descalço e desarmado, prestes a se deixar levar. Mulher meio ninfa, meio anjo, desce da luz às trevas para salvar o guerreiro sem combate.
E que a natureza faça a sua parte.

O guerreiro e a ninfa. Sirley Alex, 2007.
Acrilica sobre tela, 93 x 80 cm;

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Ser dama de honra aos 24 anos: não tem preço


Para quem ainda não viu, minha breve história continua no site http://www.naotempreco.com.br/.

Madureira, Rio de Janeiro, 9º andar.

Da janela do quarto, ouvi um tiro.

Nunca consegui identificar o som de um tiro. Outra vez estava visitando a rádio Tupi no centro do Rio e, quando saí do prédio, um cara me alertou que estava acontecendo um tiroteio ali perto. Ali mesmo, bem na direção do ponto de ônibus. Enchi-me de coragem e fui. Afinal, se eu não conseguia ouvir os tiros, por que teria medo?

Voltando ao quarto, lá estava eu, no apartamento do meu namorado. Um tiro e eu corri pra janela. Na rua, tudo normal. Alguns segundos e outro tiro. Acho que foram uns cinco minutos de tiroteio. Fui em todas as janelas, procurando uma movimentação na favela em frente ao prédio, e nada. Procurei na favela atrás do prédio, e nada. Tudo normal, as pessoas caminhando, crianças brincando, o céu com algumas nuvens e uns 34 graus de calor sufocante. E eu, que nunca tinha identificado um som de tiro antes, dessa vez tive certeza. E senti uma euforia estranha, uma curiosidade quase mórbida, fiquei louca pra ver alguma coisa acontecendo, bandidos, polícia, pessoas baleadas... que sentimento horrível! Foi tão emocionante reconhecer o som dos tiros que senti quase uma alegria instantânea, seguida de muita culpa e uma tristeza profunda. Talvez uma pessoa tivesse morrido com um daqueles tiros. Talvez não. Talvez foi apenas um instante de uma guerra que já dura séculos e só Deus sabe quando vai acabar, se vai acabar.
Não consigo entender porque fiquei tão eufórica ao ouvir aqueles tiros. Aliás, consigo sim. Eu, garota de classe média de BH, que já foi assaltada algumas vezes, mas tudo que levaram foi um celular, eu, que nunca entrei numa favela, eu, que não sei quase nada sobre o tráfico de drogas ou sobre o impacto real que isso tem na vida das pessoas, eu, que nunca toquei numa arma ou a tive apontada para a minha cabeça. É claro que sons de tiros são uma novidade tão interessante para mim quanto uma tomada é para uma criançada engatinhando na sala.

Só me senti melhor quando meu namorado chegou e percebi que ele não ficou nem um pouco abalado com o tiroteio. Ora, se pra mim este é um evento raro, pra ele é igual café da manhã: tem todo dia.

Ali, da janela do apartamento, fico observando muitas coisas. Os vizinhos que não se olham; o lote de terra vazio bem em frente ao prédio; a favelinha ao fundo que parece que vai cair a qualquer momento; as janelas do outro bloco sem cortina; o céu nublado ou ensolarado; as crianças brincando de pipa; a vista de uma cidade tão complexa como seus moradores e sua política. Da próxima vez que ouvir tiros, vou tentar filmar os sons. Isso mesmo, filmar. Porque talvez as imagens possam explicar melhor por que a cidade não pára por causa dos tiros. Por que tudo continua sempre igual, os mesmos carros, as mesmas pipas, os mesmos vizinhos e janelas sem cortinas.

Antes eu não conseguia dormir com o funk dos vizinhos no último volume. Mas, depois de ouvir os tiros, o funk não me incomodou mais.